Buscar
  • B+

ANS amplia regras de cobertura para tratamento de transtornos globais do desenvolvimento


(Imagem: Reprodução)


Na tarde desta quinta-feira, 23/06, em uma reunião extraordinária, a Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou uma norma que amplia as regras de cobertura assistencial para usuários de planos de saúde com transtornos globais do desenvolvimento, entre as coberturas, está incluído o transtorno do espectro autista.


Sendo assim, a partir de 1º de julho de 2022, passa a ter obrigatoriedade a cobertura para qualquer técnica ou método indicado pelo médico assistente para o tratamento do paciente que tenha um dos transtornos enquadrados na CID F84, conforme a Classificação Internacional de Doenças.


Já entre os anexos, a normativa também ajustou o anexo II do Rol para que as sessões ilimitadas com psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas englobem todos os transtornos globais de desenvolvimentos (CID F84).


“A ANS tem avaliado o rol de cobertura obrigatórias de forma permanente e nós estamos atentos aos anseios da sociedade. As discussões técnicas sobre as terapias para tratamento do Espectro Autista já vinham acontecendo internamente, em um Grupo de Trabalho criado em 2021 e formado por representantes de quatro das cinco diretorias da Agência. Com base nessas discussões e considerando o princípio da igualdade, decidimos estabelecer a obrigatoriedade da cobertura dos diferentes métodos ou terapias não apenas para pacientes com TEA, mas para usuários de planos de saúde diagnosticados com qualquer transtorno enquadrado como transtorno global do desenvolvimento”,


Afirma o diretor-presidente da ANS, Paulo Rebello.


Transtornos Globais do Desenvolvimento


Para entender melhor, o transtorno global do desenvolvimento é caracterizado por um conjunto de condições que geram dificuldades de comportamento e de comunicação, prejudicando a interação dos pacientes com outras pessoas e o enfrentamento de situações cotidianas.


De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) são considerados transtornos globais do desenvolvimento:


  • Autismo infantil (CID 10 – F84.0)

  • Síndrome de Rett (CID 10 – F84.2)

  • Autismo atípico (CID 10 – F84.1)

  • Outro transtorno desintegrativo da infância (CID 10 – F84.3)

  • Transtorno com hipercinesia associada a retardo mental e a movimentos estereotipados (CID 10 – F84.4)

  • Síndrome de Asperger (CID 10 – F84.5)

  • Outros transtornos globais do desenvolvimento (CID 10 – F84.8)

  • Transtornos globais não especificados do desenvolvimento (CID 10 – F84.9)

No momento existem variadas formas de abordagem dos transtornos globais do desenvolvimento, desde as individuais realizadas por profissionais treinados em uma área específica, até as compostas por atendimentos multidisciplinares. Entre elas, estão: o Modelo Denver de Intervenção Precoce (DENVER ou ESDM), o Modelo Applied Behavior Analysis (ABA), a Integração Sensorial, a Comunicação Alternativa e Suplementar ou Picture Exchange Communication System (PECS), dentre outros. A escolha da metodologia mais adequada deve ser feita pela equipe de profissionais de saúde assistente com a família do paciente.


Importante ressaltar que as operadoras de planos de saúde não poderão negar atendimento a pessoas com condições tais como paralisia cerebral e Síndrome de Down que apresentem transtornos global do desenvolvimento.


Vale lembrar que a ANS continuará debruçada sobre a questão, inclusive com realização de audiência pública, e que o trabalho do grupo técnico seguirá, com avaliação e monitoramento do tema para o constante aprimoramento da cobertura dos planos de saúde.