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Vale-internet ganha lugar em política de benefícios na pandemia


(Imagem: Reprodução)


Fonte: Estadão

Quem está em home office durante a pandemia da COVID-19 parou de usar o vale-transporte. Por outro lado, viu as despesas de energia elétrica subirem e com a internet. Se a empresa não enviou os materiais de escritório, como cadeiras ergonômicas, é possível que tenha sido necessário comprá-los. As mudanças de comportamento durante a quarentena levaram as empresas a modificar suas políticas de benefícios e, em alguns casos, flexibilizar a forma como os funcionários os gastam.

Entre junho e julho, a Sodexo Benefícios e Incentivos, realizou uma pesquisa com mais de 7.700 pessoas em todo território nacional, apontando que os benefícios mais desejados por quem está no trabalhando em casa são o auxílio para pagar internet, 24%, e luz, 17%. Andréia Girardini, diretora de pessoas e cultura da GetNinjas, destaca que:

“Estamos economizando dinheiro na empresa neste momento, ainda mais que vamos ter trabalho híbrido no futuro, então teremos menos custos no escritório. Por que não reverter esse valor para os colaboradores?”.

A empresa, que tem cerca de 120 funcionários, está totalmente em casa desde março, sem previsão para o retorno ao escritório. Com a economia do

vale-transporte e entre outros custos, a GetNinjas aumentou em 20% o

vale-alimentação, criou um programa de terapia online gratuita, fornece ajuda de custo de R$ 100 para as contas de luz e internet e, durante quatro meses, concedeu um auxílio extra para que os funcionários comprassem o que precisassem.

Para o backoffice Michael Douglas, de 28 anos, funcionário da empresa há quase um ano, os benefícios têm sido essenciais para um trabalho mais confortável.

“Sempre recebemos o vale-refeição e o vale-alimentação. Agora, deram a opção de colocar todo o valor no vale-alimentação e isso me ajudou muito porque tenho comprado mais em supermercado.”

O funcionário também recebeu em casa uma cadeira ergonômica e outros materiais que utilizava no escritório. Telma Gircis, líder de Recursos Humanos da Intel no Brasil, na América Latina e no Canadá, destaca:

“Ao pensar no bem-estar do funcionário para que ele possa trabalhar no home office, também pensamos na retenção e na atração de talentos. As pessoas pensam duas vezes se querem sair: será que a outra empresa vai me dar tudo isso?”.

Globalmente, a empresa anunciou que o home office vai pelo menos até junho do próximo ano. Para isso acontecer, foram enviados cadeiras aos funcionários e concedido um valor para que eles pudessem comprar equipamentos ergonômicos.

Outra frente de atuação é em promover benefícios em relação à gestão de tempo. Aqueles que precisam cuidar dos filhos pequenos ou de idosos passaram a receber uma ajuda de custo para pagar por serviços de babá ou cuidadores. Caso o funcionário precise fazer um horário alternativo, a flexibilidade é permitida.

Para aqueles que, ainda assim, não consigam trabalhar durante a quarentena, são oferecidas opções de licença não-remunerada de até um ano ou redução da carga horária em até 50% (com consequente redução de salário).

‘Vale-tudo’ com verba administrada pelo funcionário

A pandemia deixou ainda mais claro que dentro de uma mesma organização existem perfis diferentes de colaboradores. Uma pessoa pode precisar comprar cadeira e mesa para conseguir trabalhar de forma confortável em casa. Outra pode preferir gastar a verba com o supermercado ou assinando um serviço de streaming.

Ao contratar um serviço de benefício flexível, as organizações determinam um valor disponível para o funcionário e em quais áreas ele pode utilizá-lo: saúde, alimentação, educação, mobilidade e, mais recentemente, auxílio home office. Ricardo Salem, CEO da Flash, empresa de benefícios flexíveis, explica que:

“As necessidades, que já eram diversas, aumentaram. Tivemos uma mudança de comportamento. O delivery cresceu muito, os gastos com supermercado aumentaram, os com mobilidade despencaram e foram compensados por gastos na saúde, como farmácia e terapia online”.

Após a alta demanda das empresas, a Flash criou um pacote de benefícios focado no home office. Com ele, os funcionários recebem valores para serem gastos exclusivamente com despesas relacionadas ao trabalho em casa, como água, luz, internet e materiais relacionados a escritório.

“Ser econômico no benefício é prática velha, de 10 anos atrás, quando pagávamos o mínimo exigido pelo sindicato. Hoje, as empresas aprenderam que benefício é incrível para atrair talentos e gerar diferenciação na proposta de trabalho”.

Afirma Salem. O ticket-médio de benefícios contratados por seus clientes é de, em média, R$ 700 mensais por funcionário. Em relação ao pacote de home office, o auxílio gira em torno de R$ 150.

Acordos sindicais devem ser seguidos


Raphael Machioni, CEO da Vee, plataforma de benefícios flexíveis, afirma que:

“Se a jornada do colaborador mudou, os benefícios precisam ser diferentes. A empresa cria as regras, estipula um mínimo e máximo e as categorias e o colaborador usa como quiser. Mas, claro, respeitando sempre o que os acordos sindicais exigem em relação a refeição, transporte e alimentação”.

Roberta Gaudencio, advogada trabalhista e previdenciária destaca que é importante sempre obedecer o que determinam as convenções coletivas dos sindicatos de cada categoria. Ela explica que, durante a pandemia, as empresas podem suspender o vale-transporte para os funcionários que estão em home office e não precisam se deslocar até a empresa.

Mas benefícios como plano de saúde, seguro de vida e vale-refeição e alimentação devem ser mantidos quando previstos em contrato.


“O vale-refeição ou alimentação têm que ser fornecidos independentemente dos dias trabalhados ou se houve redução de jornada. Com a MP 936, o funcionário pode trabalhar menos horas ou menos dias na semana, mas isso não faz com que possa haver uma redução do valor do vale-refeição”,

A Amaro, marca digital de moda, já oferecia aos 420 colaboradores os benefícios flexíveis desde 2017. Com a pandemia do novo coronavírus e o aumento nas reuniões online, a empresa decidiu adicionar o auxílio home-office ao cartão flexível.

“A ideia do benefício flexível é valorizar a equipe. As pessoas têm um momento de vida diferente e, ao longo dela, as suas necessidades vão mudando e elas vão tendo liberdade para ajustar. Podem escolher entre supermercado, saúde, academia, restaurante, farmácia e, agora, gastar com despesas relativas ao home office, de mobiliário a internet”.

Conta Renata Emendabili, gerente de operações de Recursos Humanos da empresa.

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