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Só 23% dos executivos brasileiros se consideram saudáveis — e agora existe lei para isso

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B+News
há 4 dias
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Dados sobre saúde corporativa mostram avanço do burnout entre lideranças justamente no momento em que a NR-1 passa a exigir das empresas uma gestão mais estruturada dos riscos psicossociais.

Foto: Magnific/Stockers
Foto: Magnific/Stockers

A saúde mental das lideranças brasileiras entrou de vez no radar das empresas. Um levantamento divulgado pelo Movimento Mulher 360 aponta que apenas 23,1% dos executivos de alta gestão no Brasil se consideram saudáveis.


O dado chama atenção porque não se limita a uma percepção pontual sobre qualidade de vida. Ele revela que uma parcela significativa de profissionais responsáveis por decisões estratégicas reconhece que sua própria saúde está comprometida.


Entre as mulheres que ocupam posições de liderança, o cenário é ainda mais preocupante: 66,7% apresentam sintomas de burnout, o equivalente a aproximadamente duas em cada três executivas.


Burnout entre mulheres na liderança acende sinal de alerta


A chegada a posições de alta gestão costuma vir acompanhada de pressão por resultados, jornadas extensas e alto nível de responsabilidade. Para muitas mulheres, esse cenário ainda se soma a desafios relacionados à representatividade, às barreiras de carreira e à sobrecarga fora do ambiente profissional.


Outros dados ajudam a dimensionar o problema. Segundo levantamento do Centro de Referência Einstein em Saúde Mental (CRESM), 50% dos executivos consideram que o próprio ambiente corporativo pode representar uma ameaça ao bem-estar psicológico.

Além disso, 39% afirmam não se sentir suficientemente amparados pela empresa diante de situações de estresse.


Na prática, isso mostra uma contradição importante: boa parte das lideranças reconhece que o ambiente de trabalho pode prejudicar a saúde mental, mas nem todos percebem que existe suporte organizacional adequado quando o problema aparece.


Afastamentos por saúde mental avançam e pressionam os custos das empresas


O impacto da saúde mental também aparece nos afastamentos.


A Suridata, plataforma de inteligência em saúde corporativa, analisou 45.240 atestados médicos emitidos entre 2022 e 2025 e identificou que os afastamentos relacionados à saúde mental cresceram cinco vezes em 2025 na comparação com o ano anterior.


Além de mais frequentes, esses afastamentos tendem a ser mais longos. Segundo o levantamento, as licenças associadas a questões de saúde mental duram, em média, o dobro do tempo dos afastamentos provocados por outras doenças.


Os custos assistenciais também aumentam de forma significativa. Entre homens diagnosticados com transtornos psiquiátricos, o sinistro médico pode chegar a R$ 13,4 mil, enquanto entre aqueles sem risco psiquiátrico identificado o valor fica próximo de R$ 2,1 mil.


Isso representa uma diferença superior a 500%, sem considerar impactos indiretos como perda de produtividade, sobrecarga das equipes, substituições temporárias e ausência de profissionais estratégicos em momentos importantes para o negócio.


NR-1 transforma risco psicossocial em responsabilidade da empresa


Esse debate ganhou ainda mais relevância com as mudanças na Norma Regulamentadora nº 1, a NR-1.


A atualização da norma ampliou a atenção dada aos fatores psicossociais relacionados ao trabalho, exigindo das organizações uma abordagem mais estruturada para identificar, avaliar e administrar riscos que possam afetar a saúde dos trabalhadores.


Com a fiscalização das novas exigências prevista para ganhar força a partir de 26 de maio de 2026, saúde mental deixa de ser apenas uma iniciativa voluntária de bem-estar corporativo e passa também a integrar a agenda de gestão de riscos ocupacionais.

Para as empresas, isso significa a necessidade de demonstrar que existem processos efetivos de identificação, prevenção e controle desses riscos.


Adequação à NR-1 vai além de formulários e pesquisas internas


Um dos principais desafios será evitar que a adequação à norma se transforme apenas em um processo burocrático.


Mapear riscos psicossociais é importante, mas o diagnóstico perde valor quando não existe mudança nas condições que produzem o problema. Carga excessiva de trabalho, metas pouco realistas, pressão constante, falta de autonomia, conflitos de liderança e ausência de apoio organizacional também precisam entrar na discussão.


Nesse sentido, programas de saúde mental e benefícios corporativos funcionam melhor quando fazem parte de uma estratégia mais ampla de gestão de pessoas.

Não basta oferecer ações de bem-estar enquanto a própria estrutura de trabalho continua estimulando níveis elevados de estresse e esgotamento.


Saúde da liderança também é uma questão de negócio


O tema ganha uma dimensão adicional quando atinge profissionais responsáveis por decisões estratégicas.


Um executivo em processo de esgotamento pode continuar presente fisicamente no trabalho e, ainda assim, ter sua capacidade de concentração, julgamento e tomada de decisão afetada.


Por isso, saúde mental na alta gestão não deve ser vista apenas como uma questão individual ou como responsabilidade exclusiva do RH.


Ela envolve produtividade, continuidade do negócio, custos assistenciais, gestão de riscos e qualidade das decisões corporativas.


Sua empresa está prevenindo riscos ou apenas reagindo aos afastamentos?


Os dados mostram que o problema já está presente dentro das organizações. A diferença estará na forma como cada empresa decide enfrentá-lo.


Com a NR-1 trazendo os riscos psicossociais para o centro das obrigações de saúde e segurança do trabalho, organizações terão de avançar de iniciativas pontuais para uma gestão mais consistente.


Mais do que cumprir uma exigência normativa, o desafio é construir ambientes de trabalho capazes de reduzir fatores de adoecimento antes que eles se transformem em afastamentos, aumento de custos e perda de profissionais-chave.

 
 
 

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