Pejotização cresce no Brasil, mas maioria dos profissionais ainda não conta com benefícios
- B+News
- há 17 minutos
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A contratação de profissionais como Pessoa Jurídica (PJ) ou freelancers vem ganhando cada vez mais espaço no mercado de trabalho brasileiro. No entanto, apesar da consolidação desse modelo, muitos trabalhadores ainda enfrentam desafios relacionados à ausência de benefícios e à falta de proteção financeira para o futuro.
Um levantamento realizado pela HUG, empresa especializada em curadoria e alocação de talentos, revelou que 60,3% dos profissionais que atuam como PJ ou freelancer não possuem benefícios estruturados, como plano de saúde, previdência privada ou reservas destinadas a férias.
Modelo de trabalho deixa de ser temporário
A pesquisa, realizada com profissionais das áreas de marketing, comunicação, tecnologia, gestão, audiovisual e dados, mostra que a pejotização já representa uma escolha de carreira para grande parte dos entrevistados.
Segundo o estudo, 76,8% trabalham nesse formato há mais de um ano, enquanto quase metade (49,3%) atua como PJ ou freelancer há mais de quatro anos. Os números indicam que esse modelo deixou de ser apenas uma alternativa temporária e passou a representar uma forma consolidada de atuação profissional.
Benefícios ainda são exceção
Mesmo com a estabilidade conquistada por muitos profissionais, poucos conseguem manter benefícios semelhantes aos oferecidos em contratos CLT.
A pesquisa aponta que apenas 17,8% possuem plano de saúde próprio e somente 13,7% mantêm uma reserva financeira específica para custear períodos de férias. Benefícios como previdência privada, programas de capacitação e outras formas de proteção aparecem em índices ainda menores.
Para Gustavo Loureiro Gomes, fundador e CEO da HUG, o cenário evidencia uma mudança importante no mercado de trabalho.
"O modelo PJ deixou de ser algo temporário para muitos profissionais. Hoje existe uma parcela significativa de pessoas que construiu sua carreira dentro desse formato. O desafio agora não é apenas gerar oportunidades de trabalho, mas criar mecanismos que tragam mais segurança e sustentabilidade para essas trajetórias."
O que faria esses profissionais voltarem para a CLT?
O levantamento também buscou entender quais fatores poderiam motivar um retorno ao regime de contratação tradicional.
A principal resposta foi um salário significativamente superior ao rendimento atual, opção escolhida por 27,4% dos participantes.
Em seguida aparecem aspectos relacionados à qualidade de vida. Para 24,7%, a possibilidade de manter o trabalho remoto e horários flexíveis seria decisiva. Outros 21,9% valorizam maior estabilidade financeira em determinados momentos da vida, enquanto 17,8% apontam benefícios como plano de saúde e previdência como fatores relevantes para reconsiderar a CLT.
Relações de trabalho mais duradouras
Outro dado importante mostra que o trabalho sob demanda vem se tornando cada vez mais estruturado. Hoje, 38,4% dos entrevistados afirmam combinar projetos pontuais com contratos recorrentes e clientes de longo prazo.
Além disso, 26% trabalham de forma contínua para um ou dois clientes principais, demonstrando que as relações comerciais estão mais estáveis e menos dependentes de demandas esporádicas.
Flexibilidade precisa vir acompanhada de segurança
Na avaliação da HUG, o mercado caminha para um modelo que une autonomia profissional com maior suporte ao trabalhador.
Para Gustavo Loureiro Gomes, o futuro das relações de trabalho não está em escolher entre CLT e PJ, mas em criar estruturas que conciliem flexibilidade, desenvolvimento profissional e mecanismos de proteção.
"O profissional PJ não busca apenas novas oportunidades de trabalho, mas também desenvolvimento, segurança e uma rede de apoio para sustentar sua carreira no longo prazo. O futuro do trabalho passa por modelos mais flexíveis, mas também mais estruturados para quem escolhe esse formato."
